Adauto Faria Jr. • 21 de outubro de 2026

Psiquiatra, psicoterapeuta ou psicólogo: qual profissional procurar?


Psiquiatra, psicoterapeuta ou psicólogo: qual profissional procurar?


É comum receber no consultório pessoas que têm dúvidas sobre qual profissional procurar para cuidar da saúde mental. Afinal, qual é a diferença entre um psicólogo, um psicoterapeuta e um psiquiatra? E como saber qual abordagem é mais adequada para cada situação?

Esses profissionais possuem formações e perspectivas diferentes, que podem se complementar no cuidado à saúde mental.

O psiquiatra é médico e tem formação para investigar o sofrimento psíquico tanto em suas manifestações emocionais quanto em suas possíveis dimensões orgânicas. Sua atuação inclui a avaliação clínica, a investigação de sinais e sintomas, a solicitação de exames quando indicados e a prescrição de medicamentos, quando necessária.

O psicólogo possui formação em Psicologia e pode atuar em diferentes áreas: Pode trabalhar na área clínica, hospitalar, escolar, jurídica ou organizacional.

Já o termo psicoterapeuta se refere à atuação em psicoterapia, que pode ser exercida por profissionais com diferentes formações, conforme sua qualificação, Focado no tratamento de questões emocionais e sofrimento psíquico por meio do diálogo e de técnicas terapêuticas.

A psicoterapia oferece um espaço de escuta e elaboração das experiências emocionais, dos conflitos internos e dos padrões de relacionamento que participam da história de cada pessoa. Na psiquiatria, essa compreensão pode se articular à investigação médica e às possibilidades de tratamento clínico.


O psiquiatra-terapeuta: uma abordagem integrada

Na minha prática, reúno a formação médica em psiquiatria à formação em psicoterapia, na abordagem psicodinâmica da Análise Psicodramática. Essa dupla formação permite integrar duas perspectivas que considero fundamentais no cuidado à saúde mental.

A medicina oferece recursos para investigar sintomas, compreender o adoecimento, avaliar o prognóstico e identificar possibilidades terapêuticas. Mas a experiência médica também envolve acompanhar o paciente ao longo de seu percurso, considerando sua história, suas circunstâncias e a maneira singular como vivencia o sofrimento.

A formação em psicoterapia amplia essa escuta, favorecendo a compreensão dos conflitos emocionais, das experiências relacionais e dos processos psíquicos que nem sempre aparecem de forma evidente na queixa inicial.

É nesse encontro entre a experiência médica e a compreensão psicoterapêutica que situo meu trabalho como psiquiatra-terapeuta. A depender da demanda, o acompanhamento pode assumir um caráter predominantemente psiquiátrico, psicoterapêutico ou integrar as duas dimensões, o que é mais indicado, já que toda patologia mental tem um componente dinâmico entre os sintomas e a estrutura psíquica e emcocional.

Em minha prática, a abordagem é definida de acordo com as necessidades de cada pessoa, podendo envolver o acompanhamento psiquiátrico, a psicoterapia ou a integração dos dois.

Também acompanho pacientes em parceria com psicoterapeutas que me encaminham para avaliação psiquiátrica e, quando indicada, para tratamento medicamentoso, apesar de sempre ter um olhar terapêutico e dinâmico mesmo na consulta em psiquiatria, além da supervisão para profissionais que estão em atendimento como psicoterapeutas que necessitam de uma orientação sobre como funciona o papel do uso de medicações para seus clientes, entre outras abordagens da psiquiatria psicodinâmica.

O mais importante é reconhecer que cada pessoa apresenta necessidades próprias. A escolha da abordagem deve partir de uma compreensão cuidadosa dessas necessidades, sem reduzir o sofrimento a sintomas isolados nem desconsiderar suas dimensões clínicas.

Mais do que escolher entre psiquiatria e psicoterapia, trata-se de encontrar uma forma de cuidado que considere tanto a saúde quanto a experiência singular de quem procura ajuda. É essa integração que orienta meu trabalho clínico.

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