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  • Foto do escritorAdauto Fariajr

A Psiquiatria e seus métodos de abordagem (Parte um): Medicação e Diagnóstico




A psiquiatria atual obteve um grande avanço em relação ao seu arsenal medicamentoso, com desenvolvimento de remédios mais fisiológicos, como os modais, e outros que agem de forma mais específica trazendo mais eficácia, além de diminuírem os efeitos colaterais quando usados adequadamente, inclusive aumentando a aderência ao tratamento.

Costumo dizer que o foco das medicações, que são necessárias e úteis na grande maioria dos casos, atuam como alívio dos sintomas, “na minha abordagem a Análise Psicodramática, criada por Victor Dias, chamamos de moratória”, ao bloquear ou reduzir temporalmente o desequilíbrio neurofisiológico e psicopatológico de cada cliente em particular.

Em atendimento aos meus pacientes oriento que as questões envolvidas na origem da angústia, e no sofrimento psíquico tem inúmeras variáveis e condições singulares a serem entendidas e trabalhadas durante o processo de tratamento. Questões de mundo interno, circunstanciais, de projeto de vida e orgânicas, podem estar interligadas ao adoecer.

A depender de cada caso, as medicações podem trazer um alívio, mas são parte do processo terapêutico, que devem incluir quando possível: Psicoterapia, mudanças no estilo de vida, atividades físicas, rede de suporte social e familiar, entre outros.Inclusive a melhor resposta do uso da própria medicação vai depender do entendimento do funcionamento singular, da estrutura de mundo interno e sua psicodinâmica, do mundo externo relacional, assim como, do vínculo estabelecido entre o profissional e o paciente durante o processo de tratamento.

São comentários de pacientes atendidos, que previamente passaram por outros profissionais, a falta de suporte na relação médico paciente, assim como, a leitura que o foco de tratamento é amparado na visão que busca comportamentos, sinais e sintomas como guia principal para o tratamento , tendendo a ser reducionista e comportamental, o que pode trazer alívio para alguns casos de forma periódica ou desempenhar respostas limitadas.

Por fim acrescento, a esses pacientes que chegam, um histórico de diagnósticos acumulativos que acompanham sua vida pregressa clínica, muitas vezes com rótulos que mais confundem do que orientam o próprio paciente. Reforçando neste artigo que esses diagnósticos são categorias baseadas em sinais e sintomas, de guias decorrentes de manuais estatísticos do Transtorno Mental e não a psicodinâmica mais aprofundada e Terapêutica, e os mesmos tendem a não se sustentar com o tempo e avaliações subsequentes.

O que pode até contribuir “em alguns casos” para o um uso excessivo de medicações que tem efeito limitado considerando que os fatores do adoecer estão em outras dinâmicas, o que pode trazer possíveis efeitos colaterais em um paradoxo entre tratamento, sintomas e diagnósticos que se retroalimentam.

 

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